O Comitê de Inovação: o elixir da juventude empresarial
- carlos raimundo dos santos
- há 2 dias
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Atualizado: há 9 horas

Existe uma premissa incômoda na gestão de empresas: se a organização não inova de forma constante, as próximas fases da sua operação tendem ao declínio. Não é uma possibilidade — é a trajetória natural de quem para de se reinventar.
O problema é que a maioria das empresas trata inovação como acaso. Espera-se que alguém tenha uma boa ideia. Espera-se que o mercado dê um sinal. Espera-se, quase sempre, tempo demais.
O Comitê de Inovação inverte essa lógica. Criado e disseminado pelo Dr. Hitendra Patel, cofundador do IXL Center, o método transforma inovação em processo — algo que acontece em data marcada, com pessoas designadas e método definido.
Como funciona
A estrutura é deliberadamente simples. De 3 a 5 integrantes — não mais que isso — e, este é o ponto crítico, com especializações e experiências de vida profundamente diferentes. Um comitê homogêneo produz soluções homogêneas, que são exatamente as que a empresa já tentou.
Uma reunião por mês, no mínimo. Cadência fixa. Inovação com agenda.
O grupo trabalha a partir de uma lista de problemas da empresa. Avalia quais são os mais prementes e escolhe um para resolver. Um só. A disciplina de escolher é parte do método.
E aqui está a virada conceitual: os problemas são tratados como oportunidades de inovação. O que na reunião de diretoria seria um item de reclamação, aqui é matéria-prima.
Na sessão, o grupo pode analisar tendências de mercado, estudar a operação de concorrentes, convidar clientes para opinar sobre produtos em desenvolvimento, ou criar do zero com métodos estruturados — Design Thinking, brainstorming, matriz D/E/C/A.
O papel do coordenador
Aqui está o fator que separa comitês que funcionam dos que viram mais uma reunião inútil.
O coordenador não é o chefe do grupo. É alguém habilitado a aplicar dinâmicas que despertem o lado criativo de cada integrante e a integrar as ideias que surgem. Sua função é construir um fluxo de trabalho favorável ao surgimento e ao aprimoramento de ideias.
Quando isso funciona bem, acontece algo notável: o grupo entra em estado de flow — uma espécie de transe criativo, de inspiração elevada e produtividade fora do comum. Quem já participou de uma sessão assim reconhece a sensação. O tempo passa diferente.
A evidência colombiana
O caso mais interessante desse método vem da Colômbia.
O país, buscando desenvolver empresas com maior capacidade de faturamento e, por consequência, de arrecadação, passou a reunir grupos de 20 empresas com potencial de crescimento e já relativamente maduras, para implantar o Comitê de Inovação através da IXL.
Segundo a própria IXL Center, trata-se de um processo rigoroso de seleção: buscam-se pequenas e médias empresas com garra e comprometimento para se tornarem 10x.
O resultado observado é revelador. Mesmo as empresas que não se tornam unicórnios apresentam crescimento sensivelmente mais acelerado que empresas semelhantes não assistidas. E, não raramente, conseguem multiplicar seu faturamento por 10 ou mais.
O IXL Center já conduziu programas assim com IEL (Brasil), Colciencias (Colômbia), Mejoremos Guate (Guatemala), Yonsei University (Coreia do Sul), Emirates NBD (Emirados Árabes Unidos) e Hult Prize (EUA).
A pergunta que fica
Estudando esse trabalho, algumas perguntas ficam no ar — e são elas que deram origem ao método Bordering.
Como deve ser estruturada uma empresa que cresceu 10 vezes seu faturamento? Tendo crescido tanto, pode-se dizer que ela é praticamente outra empresa? Como será a operação desse novo negócio, agora potencializado?
O Comitê de Inovação resolve o problema de gerar o crescimento. Mas gerar crescimento sem preparar a organização para absorvê-lo é como acelerar um carro sem verificar os freios.
É exatamente aí que entram os outros três blocos do método.
Comece pelo seu comitê: escolha de 3 a 5 pessoas com perfis diferentes. Marque a primeira reunião. Leve uma lista de problemas — não de soluções.


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